Informações do Post - - Jonas Henrique - - 20 de abril de 2017 | - 3:45 - - Home » » - - Sem Comentários

Conheça Alice Guy, a Mãe do Cinema de Ficção

Ainda muito desconhecida pelo grande público, à francesa Alice Guy-Blaché foi a primeira pessoa que acreditou que os filmes poderiam contar uma história, sendo que na época praticamente ninguém acreditava no cinema de ficção e que por ironia do destino a história do cinema a quase esqueceu. Ela é reverenciada como a primeira mulher cineasta e roteirista de filmes ficcionais.

Nascida na cidade de Saint-Mandé, em 1º de julho de 1873, seu pai, Emile Guy era dono de uma rede de livrarias e de uma editora no Chile e sua mãe era Marie Clotilde Franceline Aubert. Ela e sua família viveram vários anos no Chile, algum tempo depois, foi para a França junto de seus irmãos para estudar. Anos mais tarde seu pai sofreu com graves problemas financeiros tendo que decretar falência, em 1893 veio a falecer em razão de problemas de saúde.

A Fada e o Repolho

Muito jovem teve que começar a trabalhar para poder sustentar à mãe e a si mesma, seu primeiro emprego foi em uma fábrica de verniz, mais tarde, em 1894, começou a trabalhar com Léon Gaumont na Comptoir général de la photographie como secretária. A empresa logo entraria em falência e Gaumont comprou o inventario e fundaria a sua própria empresa que logo se tornaria pioneira no cinema francês. Foi ai que ela aprendeu como eram os trabalhos de filmagens e a fazer negócios com os clientes. Nessa mesma época ela conheceu os irmãos Auguste e Louis Lumière, e após conhecer seus trabalhos em uma exibição, ela viu que os filmes tinham potencial e que não deviam apenas ficar restritos a propósitos científicos, mas que era possível incorporar elementos ficcionais. Com permissão de Gaumont em seu tempo livre, ela produziu o seu próprio filme, e assim no ano de 1896 surgiu La Fée aux choux (A Fada do Repolho), a primeira produção narrativa cinematográfica do mundo, assim comprovando a sua criatividade.

Muitos não sabem, mas ela foi à pioneira no uso de gravações de áudio junto às imagens e a primeira a realizar experimentos com cores antes mesmos delas se tornarem regras. Em 1907, Alice casou-se com Herbert Blaché que trabalhava para Gaumont nos Estados Unidos, logo os dois resolveram montar sua própria empresa, assim surgindo a Solax Company, somente nos Estados Unidos ela produziu e dirigiu mais de 600 filmes, infelizmente muitas de suas obras acabaram sendo atribuídas a outros profissionais.

Em 1920 Alice Guy abandona a sua profissão após mais de 20 anos dedicados à sétima arte, após problemas com seu marido e devido à concorrência dos grandes estúdios e problemas financeiros, ela dirige seu ultimo filme no mesmo ano. Após se separar do marido e leiloar seu estúdio, ela voltou para a França com os filhos e nunca mais voltou a dirigir ou produzir um filme. Seu trabalho serviu de inspiração para vários artistas, como Alfred Hitchcock e Barbra Streisand. Em 1949 recebeu a mais alta distinção do governo francês por seus trabalhos e 20 anos depois ela veio a falecer aos 94 anos, quase apagada da história do cinema.

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