Informações do Post - - Jonas Henrique - - 17 de novembro de 2017 | - 8:03 - - Home » » - - 5 Comentários

107 anos de Rachel de Queiroz – Conheça dez obras da autora

Hoje comemoramos o 107° aniversário da escritora Rachel de Queiroz, ela nasceu em Fortaleza, capital do Ceará, em 17 de novembro de 1910. Rachel foi a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras, eleita para a cadeira nº 5, em 1977. Foi também jornalista, romancista, cronista, tradutora e teatróloga. Integrou o quadro de Sócios Efetivos da Academia Cearense de Letras. Seu primeiro romance “O Quinze”, ganhou o prêmio da Fundação Graça Aranha. O “Memorial de Maria Moura” foi transformado em minissérie para televisão e apresentado em vários países.

E neste clima comemorativo vamos conhecer 10 livros escritos por Rachel de Queiroz:

O Quinze – 1930

O Quinze foi o primeiro e mais popular romance de Rachel de Queiroz. Ao narrar as histórias de Conceição, Vicente e a saga do vaqueiro Chico Bento e sua família, Rachel expõe de maneira única e original o drama causado pela histórica seca de 1915, que assolou o Nordeste brasileiro, sem perder de vista os dilemas humanos universais, que fazem desse livro um clássico de nossa literatura.

Caminhos de Pedra – 1937

Em seu terceiro romance, Caminho de pedras, a cearense permitiu que os personagens assumissem a linha de frente da narrativa. E muitos estudiosos consideram ‘Caminho de Pedras’ como a mais conscientemente engajada obra de toda a sua duradoura carreira, plena de um socialismo libertário que poucas vezes voltaria a aparecer em seus textos. Através de uma linguagem enxuta, a autora consegue transportar esse complexo universo partidário para uma cama de casal. O romance valoriza as características psicológicas dos personagens, contando a história da paixão proibida entre Roberto e Noemi – esposa do ex-comunista João Jaques e mãe de um menino de colo identificado apenas como Guri. Por trás de tudo há um retrato da luta social daqueles anos, contendo denuncias ao Integralismo e ao autoritarismo do Estado Novo de Getúlio Vargas .

As Três Marias – 1939 

“As Três Marias”, publicado originalmente em 1939, conquistou o cobiçado prêmio da Sociedade Felipe de Oliveira e, décadas depois, foi adaptado como uma novela para a televisão. De leitura ágil, o romance é um importante marco na literatura brasileira e um dos mais populares em toda a obra de Rachel de Queiroz. A história tem início nos pátios e salas de aula de um colégio interno dirigido por freiras – Maria Augusta, Maria da Glória e Maria José são amigas inseparáveis que ganham de seus colegas e professores o apelido de “as três Marias”. Neste livro, Rachel foi ainda mais fundo em um tema que já estava presente em todas as suas obras anteriores – o papel da mulher na sociedade.

Lampião – Maria Beata do Egito 

O livro ‘Lampião – A Beta Maria’ do Egito reúne duas peças teatrais escritas por Rachel de Queiroz durante os anos 1950. A primeira, publicada em 1953, mostra a intimidade de Virgulino Ferreira, Maria Bonita e seu bando. A segunda, de 1958, conta a história de uma jovem beata, bonita e determinada, que entregou sua juventude a uma causa religiosa no Ceará – em defesa de Padre Cícero – e, de repente, viu-se diante das tentações naturais da vida. Lampião mostra um pouco o lado jornalista da autora, que baseou seu texto em uma pesquisa histórica. Porém, mesmo contento muitos elementos fiéis à história oficial, a peça não se prende a uma fria narrativa dos fatos: é repleta de emoção e poesia. A Beta Maria do Egito, por sua vez, nasceu das lembranças de Rachel, que quando criança leu nos livros da avó a história de uma religiosa que vendeu o próprio corpo para comprar a liberdade.

João Miguel – 1957 

“Fugindo a um começo de dormência, ‘João Miguel’ fechou a mão. E ao realizar o gesto lembrou-se do outro – o gesto inicial do crime, a mão fechada em torno do cabo de chifre da faca. Teve um estremecimento. Abriu novamente a mão, olhou-a com novos olhos, procurando-lhe a fisionomia especial de criminosa. Mas, calma, inofensiva, pesada, a mão permanecia no seu jeito pacífico de repouso e de paz. E, no entanto, aquela mão era a mesma… os dedos, agora trêmulos, tinham o mesmo aspecto dos dias antigo, das horas de trabalho ou de prazer.”





Um Alpendre, uma Rede, um Açude – 100 Crônicas Escolhidas

A primeira edição de Um alpendre, uma rede, um açude saiu em 1958, mostrando um amplo retrato do Brasil e sua gente.
‘A rigor, a autora destas crônicas é uma de nossas maiores conquistas no gênero, ladeado por José de Alencar e Machado de Assis, Antonio Torres (o de Verdades indiscretas) e João do Rio, Cecília Meireles e Rubem Braga, Nelson Rodrigues e Paulo Mendes Campos’, escreve André Seffrin. ‘Isso Porque, na obra de todo escritor paradigmático, a crônica pode ser um pouco de tudo: drama, comédia, desenho de circunstância. Afirmação política, crítica mordaz, trecho de diário, crônica de costumes, memórias, folhetim, relato de sonho, poema em prosa ou ‘núcleos e embriões de romance’, como sugeriu certa vez sobre Rachel o agudo Antonio Carlos Villaça. História (com maiúscula) e histórias, com um pouco de tudo que há no mundo. Quer dizer, a condição humana e seu coração descoberto.’
Um alpendre, uma rede, um açude é uma obra que se destaca na impecável bibliografia de Rachel de Queiroz.

Galo de Ouro – 1985

“O Galo de Ouro”, história com cerca de 40 capítulos, um outro chão, o submundo carioca, mães de santo, terreiros, policiais e bicheiros, uma realidade nova, fugidia e áspera. Mas o verdadeiro chão de Rachel, o seu chão perene, é a condição humana.

Memorial de Maria Moura – 1992

Esta é uma das obras mais conhecidas da escritora cearense, conta a história de uma filha de fazendeiro que, após ficar órfã, não consegue fazer frente à cobiça do padrasto e dos primos com relação à propriedade das terras e resolve abandoná-las, acompanhada por alguns empregados que ainda lhe eram fiéis.

Mulher de fibra e determinação, após passar uma série de privações no sertão, começa a liderar seus homens em roubos e saques, tornado-se uma respeitada fora da lei.

A Casa do Morro Branco – 1999

Rachel de Queiroz se consagrou como um dos grandes nomes na narrativa longa brasileira a partir da publicação do romance O quinze, em 1930. A antologia de textos curtos A casa do morro branco, no entanto, vem provar que a autora também dominava perfeitamente a arte dos contos e crônicas. São 14 histórias na qual a autora expõe todas as características que marcaram obras renomadas como João Miguel, Caminho de pedras, As três Marias e Memorial de Maria Moura: análises literárias da existência humana, em seus aspectos políticos e pessoais.

O Não Me Deixes – 2000

As características da criativa culinária do sertão nordestino são o pano de fundo que Rachel de Queiroz (1910-2003) utilizou para apresentar as melhores receitas preparadas em sua fazenda, situada em Quixadá no Ceará, e que recebe o nome de ‘Não Me Deixes’. Ao resgatar lembranças, a autora cativa o leitor com um texto singelo e tocante, que vai além dos tradicionais livros de receitas.




5 respostas para “107 anos de Rachel de Queiroz – Conheça dez obras da autora”

  1. Laura disse:

    Bom, nao conhecia ainda a Rachel, nao gostei muito dos seus livros sabe nao e muito o genero que gosto de ler! Porem amei as informaçoes que trouxe sobre ela.
    A capa e maraviilhosa

  2. Olá! Tudo bom?
    Nossa já tinha ouvido falar nela , mas poxa 107 , muito tempo, bem legal as indicações que deu, já anotei tudinho em meu caderno, para poder ler futuramente, parabéns pelo post.
    Beijos, Joyce de Freitas.

  3. Já li diversas obras da Rachel! Uma das grandes escritoras desse mundão… poesia, maturidade e singularidade estão sempre presentes de alguma forma! Achei bacana as indicações que você deu… Alguns estão entre os melhores dela!

    Beijos enormes e obrigado por relembrar essa escritora maravilhosa!

  4. 107 anos não é para qualquer um haha!
    Rachel de Queiroz com certeza tem muitos tesouros e histórias, de todos esses, infelizmente só li O Quinze.

  5. Olá
    Que bacana o top 10, por incrível que pareça eu só conhecia Memorial de Maria Moura e O Quinze. Estou cada vez mais intessada em ler os clássicos e anotei várias dicas aqui.

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